O começo dos tempos
De A. S. Lucas emJun 30, 2010 | EmReligião | Enviar feedback »
Um dos dogmas fundamentais da Igreja Católica e do Judaismo dizia, até pouco tempo, que a Terra, os animais, as plantas, o Sol e as estrelas e até a luz foram criados do nada, há seis mil anos. Era artigo de fé capital a criação do Universo, há seis mil anos, tanto que há pouco ainda era a Ciência anatematizada por destruir a cronologia bíblica, provando maior ancianidade da Terra e de seus habitantes.
Apesar disso, o concílio de Latrão, concílio ecumênico que faz lei em matéria ortodoxa, diz: "Acreditamos firmemente num Deus único e verdadeiro, eterno e infinito, que no começo dos tempos tirou conjuntamente do nada as duas criaturas — espiritual e corpórea". Por começo dos tempos só podemos inferir a eternidade transcorrida, visto ser o tempo infinito como o Espaço, sem começo nem fim. Esta expressão, começo dos tempos, é antes uma figura que implica a idéia de uma anterioridade ilimitada. O concílio de Latrão acredita, pois, firmemente, que as criaturas espirituais como as corpóreas foram simultaneamente formadas e tiradas em conjuntos do nada, numa época indeterminada, no passado. A que fica reduzido, assim, o texto bíblico que data a Criação de seis mil dos nossos anos? E, ainda que se admita seja tal o começo do Universo visível, esse não é seguraramente o começo dos tempos. Em qual crer: no concílio ou na Bíblia?
O Universo existe há pelo menos 13,5 bilhões de anos e a terra só existe há 4,5 bilhões de anos. Tudo o que existe não foi criado há 6 mil anos como a Igreja Católica pregava até pouco tempo. Isso era pregado como uma verdade absoluta. Erraram nesta matéria. Em que mais não erraram? As religiões se fundam no que os homens acham, não na real verdade.
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